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Paciente Fica Acordada E Faz Cálculos De Matemática Durante Cirurgia No Cérebro Em Natal: ‘Nenhum Medo’

Paciente fica acordada e faz cálculos de matemática durante cirurgia no cérebro em Natal: ‘Nenhum medo’

“Não tive nenhum medo”. O relato é da administradora Fabíola Marque de Barros, de 37 anos, que passou por uma cirurgia inusitada em Natal, no mês passado. Ela ficou acordada, fazendo cálculos matemáticos e outros testes, enquanto os médicos tiravam um tumor do seu cérebro. O procedimento durou quatro horas e foi bem sucedido.

Fabíola seguia a vida fazendo reeducação alimentar, exercícios físicos, trabalhando, cursando faculdade de Matemática, cuidando do casal de filhos. Até que, no último dia 12, teve uma crise epiléptica, com quatro convulsões seguidas, em uma espaço entre 5 e 10 minutos.

Levada às pressas para o pronto-socorro de um hospital privado da capital potiguar, a administradora passou por exames que constataram um tumor chamado menigioma no lado esquerdo frontal do cérebro. Ele era benigno, ou seja, não cancerígeno. Fabíola não saiu mais do hospital até receber alta da cirurgia, no dia 26.

De acordo com o neurocirurgião Thiago Rocha, responsável pelo procedimento, o tumor estava perto da área do cérebro que controla as linguagens, por isso houve a opção pelo procedimento chamado awake craniotomy – traduzido livremente para o português como “craniotomia acordada”.

“O objetivo da cirurgia acordada é minimizar possíveis déficits. Ela é usada principalmente em pacientes que têm tumor próximo à área da linguagem, ou outras áreas funcionais do cérebro, como a motora ou visual”, explicou o neurocirurgião. “Com o paciente acordado, nós podemos perceber imediatamente se a remoção da lesão causa alguma alteração do raciocínio ou da linguagem”, pontuou.

Porém o médico ressalta que nem todo paciente pode passar por esse tipo de procedimento. Especialmente se for muito ansioso. Ele conta que não era o caso de Fabíola, que estava tranquila e confiante.

“Eles fizeram a proposta, passaram muita tranquilidade, confiança e aceitei”, conta ele. “Foram profissionais muito humanizados. Lembro que tinha música na sala e eles riram porque eu pedi para botarem música de Fábio Júnior”, lembra ela.

A positividade dela também ajudou. “Todos os dias do internamento eu estava bordando ponto cruz e sempre estava assim: batom, brincos, anéis. O batom roxo foi um sucesso na UTI. Eu entrei lá pra viver. E hoje, passado o susto, eu conto que eu vivi uma aventura com esses médicos”, brinca.

A escolha de fazer cálculos ocorreu por causa da paixão de Fabíola pela Matemática desde a infância, o que a levou a fazer uma licenciatura, que está em andamento. “É interessante usar talentos do paciente. Pode ser algo voltado para a música. No caso dela, era a Matemática”, ressalta o médico.

A cirurgia aconteceu no dia 19 de fevereiro. Enquanto o neurocirurgião realizava a operação, ela era acompanhada por outros médicos, como o neurofisiologista, e respondia aos estímulos envolvendo cálculos de divisão e multiplicação, mas também outros testes, com nomes de objetos, cores, entre outros estímulos.

“Foi tranquilo. Acredito que não lembro de tudo, porque após a cirurgia eles disseram que também falei muito da minha filha, mas não lembro dessa parte”, conta a paciente.

Com a cirurgia bem sucedida, o tumor foi completamente retirado. Questionado, o neurocirurgião afirmou que este foi o primeiro procedimento realizado por ele na capital potiguar, mas não soube dizer se uma cirurgia igual já foi feita no Rio Grande do Norte.

Também participaram da cirurgia os neurocirurgiões Marcos Moscatelli e Erton César, o anestesista Wallace Andrino e o neurofisiologista Luiz Paulo.

Por Igor Jácome, G1 RN

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